Dispo-me dos preconceitos e das mágoas que me sufocam. Desprendo este cinto de pesadelos que me aperta e liberto-me deste colar de pérolas negras que me rouba o ar.
Estou nua em frente ao espelho, enxergo os hematomas que os dissabores da vida marcaram na minha pele e deixo as minhas mãos percorrerem os traços que me caracterizam. Tenho a pele arrepiada pelo frio noturno e o olhar brilhante pelas lágrimas que derramei. Esta sou eu, despida de convicções, solta de indecisões. E, mesmo que de bonito nada tenha este reflexo, é ele que mostra aquilo que eu já não sei palavrear. Sou um corpo manchado do sangue que as guerras que travei trouxeram à superfície. Sou um mar de memórias que me ocupam e um céu de sentimentos que me preenchem.
Estou assim, nua com o espelho e o reflexo daquilo que não soube ser. E daquilo que quis ser.

Adorei o texto, a forma como o escreveste..
ResponderEliminarpões sempre tanto de ti naquilo que escreves e isso é realmente maravilhoso, é como se conseguisse imaginar-te realmente através das tuas palavras. És fantástica :')
ResponderEliminarAmei o texto. Juro que me deu arrepios. Escreves de forma belíssima.
ResponderEliminarAdorei. Devem ter sido as palavras mais bonitos que li nos últimos tempos. E a tua escrita é para lá de maravilhosa, a sério. Como é possível que alguém consiga expor os seu sentimentos numa prosa tão misteriosa, mas tão clara? Adorei tanto.
ResponderEliminar(E adorei o teu blogue também. Muito bom mesmo (: )
Às vezes estar nua em frente ao espelho é a melhor forma de nos conhecermos. De chegar mais longe.
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