Na vida há um tempo para tudo. Um tempo certo para cada coisa, para cada pormenor, para cada loucura. Tudo tem o seu tempo e saber, perceber e interiorizar esta ideia é a melhor maneira de aceitar a vida tal como ela é e de a viver da melhor maneira. Há um tempo para se ser criança e um tempo para tomar consciência das responsabilidades. Há um tempo para a Primavera e um tempo para o Inverno. E a Primavera virá depois do Inverno e nunca o contrário, pois foi assim que foram feitas as coisas, pois é assim que é a vida. Há um tempo para a paixão desenfreada e um tempo para o amor caloroso. Há um tempo para a inocência. Há um tempo para as flores crescerem, e um tempo para as folhas das árvores beijarem o chão. E quem tenta contornar as leis que assim tudo designam, dá-se mal. E dá-se mal porque há que respeitar os tempos como se de uma dança se tratasse. Cada batimentos da música corresponde a um movimento, e desrespeitar as leis naturais, é o mesmo que dançar hip-hop ao som da música clássica: não faz sentido. Há um tempo para a rebeldia, um tempo para a severidade, um tempo para a honestidade. Na vida, só não há um tempo para amar. Porque o amor não marca hora de consulta, vem quando lhe apetece e não quando estamos à espera que venha. O amor aparece no seu tempo, não se importando se é o certo ou o errado, ou que complicações trará consigo, ele simplesmente vem. E são raros aqueles que lhe são capazes de virar a cara, e talvez sejam esses os mais sortudos, pois não têm de adaptar o tempo de tudo o resto ao tempo egoísta do amor. Sortudos são aqueles que vivem tudo no seu tempo e que, assediados por este sentimento desordeiro, não vêm o tempo de nada a ser alterado. Pois o amor, esse energúmeno que aparece quando bem lhe apetece, não pode sair sempre a rir. E por isso, é tempo de cometer algumas loucuras.
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domingo, 16 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
wordless
São tantas as vezes em que me sento nesta cadeira e me deparo com este mesmo problema. Que palavras usar desta vez quando todas elas já foram gastas?
Já não há palavras que traduzam o que em mim está enterrado. Já não há expressões que eu possa usar para descrever este turbilhão de pensamentos e sentimentos que se atropelam no interior da minha alma. Se já não há maneira de os transmitir, se desabafar é já um ato tão banal, o que raio estou eu ainda aqui a fazer? Eu preciso disto. A minha força alimenta-se daquilo que eu deito cá para fora, da raiva que deixo escapar por entre palavras inacabadas e da dor que deixo fugir por entre suspiros acentuados e sentir que não tenho mais como me expressar, esmorece os esforços que faço diariamente para me manter estável.
Sinto a estabilidade a escapulir-se de mim, como areia que foge por entre os dedos, sem que eu ache a capacidade de a agarrar. Sinto todo o meu corpo a tremer de novo e o medo de voltar ao passado a apoderar-se de mim. Que palavras usar quando todas as possíveis já foram utilizadas? Com que letras pintar tudo aquilo que já não sei como transmitir?
Tudo o que vejo à minha volta é confusão. Que estou ainda aqui a fazer?
-Votem no vosso texto favorito do Desafio Let It Speak, aqui-
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
a vida é um ciclo
Sempre que eu penso que as coisas estão finalmente a estabilizar, dá-se um terramoto que me rouba o chão de debaixo dos pés. Fica tudo turvo ao meu redor e sou atingida pela agonia de tudo o que eu não posso controlar. Quero acreditar que tudo isso acontece por um motivo, que a vida só nos oferece os desafios que nós somos capazes de superar, que após superar todas estas batalhas, seremos recompensados. Alimento-me desses pensamentos, batalhando um pouco mais todos os dias, na esperança que o dia de amanhã seja melhor. Encho-me de tudo aquilo que me ajuda a avançar e tento não olhar para o lado, com medo do que posso encontrar. O vazio onde devia estar alguém, mas onde ninguém se atreveu a ficar. Mas, por outro lado, não sei se todos estes pensamentos culminarão em algo positivo ou se apenas trarão mais desilusões ao meu coração.
Quero acreditar que a vida é um ciclo perfeito, no qual estamos em constante movimento, percorrendo os mesmos traços circulares vezes incontáveis. Um ciclo no qual nunca permanecemos no mesmo ponto por muito tempo. A vida encarrega-se ela mesma de nos levar dos lugares mais inóspitos de si mesma para os mais luminosos, e o contrário. Nunca ficamos muito tempo no fundo, nem muito tempo no topo e é aí que está o segredo de tudo isto. Em aproveitar todos os momentos em que estamos no topo, apreciando cada segundo em que não estamos a ser arrastados para baixo de novo. Dar valor aos momentos simples, para que as alturas tormentosas não se façam de tamanha gravidade. Saborear cada sensação de paz momentânea, e esperar pelos dias dolorosos.
Não mais me dou permissão para festejar demasiado os tempos calmos, por saber que estes são raros e que nunca duram muito tempo. Não me dou ao luxo de pensar que assim será para sempre, pois todos os dias põem em risco tudo o que tenho. As coisas estão serenas agora, mas talvez isto seja apenas o cansaço a manifestar-se na minha perceção das coisas e quem sabe o dia de amanhã não trará de novo as lágrimas. Tudo o que posso fazer agora, é aproveitar para recarregar as baterias para mais uma batalha sangrenta. Desfrutar do que este momento me ocupa e esperar pelo que aí virá.
Pacientemente.
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