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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Na vida há um tempo para tudo


Na vida há um tempo para tudo. Um tempo certo para cada coisa, para cada pormenor, para cada loucura. Tudo tem o seu tempo e saber, perceber e interiorizar esta ideia é a melhor maneira de aceitar a vida tal como ela é e de a viver da melhor maneira. Há um tempo para se ser criança e um tempo para tomar consciência das responsabilidades. Há um tempo para a Primavera e um tempo para o Inverno. E a Primavera virá depois do Inverno e nunca o contrário, pois foi assim que foram feitas as coisas, pois é assim que é a vida. Há um tempo para a paixão desenfreada e um tempo para o amor caloroso. Há um tempo para a inocência. Há um tempo para as flores crescerem, e um tempo para as folhas das árvores beijarem o chão. E quem tenta contornar as leis que assim tudo designam, dá-se mal. E dá-se mal porque há que respeitar os tempos como se de uma dança se tratasse. Cada batimentos da música corresponde a um movimento, e desrespeitar as leis naturais, é o mesmo que dançar hip-hop ao som da música clássica: não faz sentido. Há um tempo para a rebeldia, um tempo para a severidade, um tempo para a honestidade. Na vida, só não há um tempo para amar. Porque o amor não marca hora de consulta, vem quando lhe apetece e não quando estamos à espera que venha. O amor aparece no seu tempo, não se importando se é o certo ou o errado, ou que complicações trará consigo, ele simplesmente vem. E são raros aqueles que lhe são capazes de virar a cara, e talvez sejam esses os mais sortudos, pois não têm de adaptar o tempo de tudo o resto ao tempo egoísta do amor. Sortudos são aqueles que vivem tudo no seu tempo e que, assediados por este sentimento desordeiro, não vêm o tempo de nada a ser alterado. Pois o amor, esse energúmeno que aparece quando bem lhe apetece, não pode sair sempre a rir. E por isso, é tempo de cometer algumas loucuras.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

wordless


São tantas as vezes em que me sento nesta cadeira e me deparo com este mesmo problema. Que palavras usar desta vez quando todas elas já foram gastas?
 Já não há palavras que traduzam o que em mim está enterrado. Já não há expressões que eu possa usar para descrever este turbilhão de pensamentos e sentimentos que se atropelam no interior da minha alma. Se já não há maneira de os transmitir, se desabafar é já um ato tão banal, o que raio estou eu ainda aqui a fazer? Eu preciso disto. A minha força alimenta-se daquilo que eu deito cá para fora, da raiva que deixo escapar por entre palavras inacabadas e da dor que deixo fugir por entre suspiros acentuados e sentir que não tenho mais como me expressar, esmorece os esforços que faço diariamente para me manter estável.
Sinto a estabilidade a escapulir-se de mim, como areia que foge por entre os dedos, sem que eu ache a capacidade de a agarrar. Sinto todo o meu corpo a tremer de novo e o medo de voltar ao passado a apoderar-se de mim. Que palavras usar quando todas as possíveis já foram utilizadas? Com que letras pintar tudo aquilo que já não sei como transmitir?
Tudo o que vejo à minha volta é confusão. Que estou ainda aqui a fazer? 

-Votem no vosso texto favorito do Desafio Let It Speak, aqui-

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

a vida é um ciclo


Sempre que eu penso que as coisas estão finalmente a estabilizar, dá-se um terramoto que me rouba o chão de debaixo dos pés. Fica tudo turvo ao meu redor e sou atingida pela agonia de tudo o que eu não posso controlar. Quero acreditar que tudo isso acontece por um motivo, que a vida só nos oferece os desafios que nós somos capazes de superar, que após superar todas estas batalhas, seremos recompensados. Alimento-me desses pensamentos, batalhando um pouco mais todos os dias, na esperança que o dia de amanhã seja melhor. Encho-me de tudo aquilo que me ajuda a avançar e tento não olhar para o lado, com medo do que posso encontrar. O vazio onde devia estar alguém, mas onde ninguém se atreveu a ficar. Mas, por outro lado, não sei se todos estes pensamentos culminarão em algo positivo ou se apenas trarão mais desilusões ao meu coração. 
Quero acreditar que a vida é um ciclo perfeito, no qual estamos em constante movimento, percorrendo os mesmos traços circulares vezes incontáveis. Um ciclo no qual nunca permanecemos no mesmo ponto por muito tempo. A vida encarrega-se ela mesma de nos levar dos lugares mais inóspitos de si mesma para os mais luminosos, e o contrário. Nunca ficamos muito tempo no fundo, nem muito tempo no topo e é aí que está o segredo de tudo isto. Em aproveitar todos os momentos em que estamos no topo, apreciando cada segundo em que não estamos a ser arrastados para baixo de novo. Dar valor aos momentos simples, para que as alturas tormentosas não se façam de tamanha gravidade. Saborear cada sensação de paz momentânea, e esperar pelos dias dolorosos. 
Não mais me dou permissão para festejar demasiado os tempos calmos, por saber que estes são raros e que nunca duram muito tempo. Não me dou ao luxo de pensar que assim será para sempre, pois todos os dias põem em risco tudo o que tenho. As coisas estão serenas agora, mas talvez isto seja apenas o cansaço a manifestar-se na minha perceção das coisas e quem sabe o dia de amanhã não trará de novo as lágrimas. Tudo o que posso fazer agora, é aproveitar para recarregar as baterias para mais uma batalha sangrenta. Desfrutar do que este momento me ocupa e esperar pelo que aí virá. 
Pacientemente.