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domingo, 22 de dezembro de 2013

O "não" da derrota


«Ama-lo?
-Sim
Ainda estás apaixonada por ele?
-Sim.»


«Tu ama-la?
-Sim
Ainda estás apaixonado por ela?
-Não.»

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

wordless


São tantas as vezes em que me sento nesta cadeira e me deparo com este mesmo problema. Que palavras usar desta vez quando todas elas já foram gastas?
 Já não há palavras que traduzam o que em mim está enterrado. Já não há expressões que eu possa usar para descrever este turbilhão de pensamentos e sentimentos que se atropelam no interior da minha alma. Se já não há maneira de os transmitir, se desabafar é já um ato tão banal, o que raio estou eu ainda aqui a fazer? Eu preciso disto. A minha força alimenta-se daquilo que eu deito cá para fora, da raiva que deixo escapar por entre palavras inacabadas e da dor que deixo fugir por entre suspiros acentuados e sentir que não tenho mais como me expressar, esmorece os esforços que faço diariamente para me manter estável.
Sinto a estabilidade a escapulir-se de mim, como areia que foge por entre os dedos, sem que eu ache a capacidade de a agarrar. Sinto todo o meu corpo a tremer de novo e o medo de voltar ao passado a apoderar-se de mim. Que palavras usar quando todas as possíveis já foram utilizadas? Com que letras pintar tudo aquilo que já não sei como transmitir?
Tudo o que vejo à minha volta é confusão. Que estou ainda aqui a fazer? 

-Votem no vosso texto favorito do Desafio Let It Speak, aqui-

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

a vida é um ciclo


Sempre que eu penso que as coisas estão finalmente a estabilizar, dá-se um terramoto que me rouba o chão de debaixo dos pés. Fica tudo turvo ao meu redor e sou atingida pela agonia de tudo o que eu não posso controlar. Quero acreditar que tudo isso acontece por um motivo, que a vida só nos oferece os desafios que nós somos capazes de superar, que após superar todas estas batalhas, seremos recompensados. Alimento-me desses pensamentos, batalhando um pouco mais todos os dias, na esperança que o dia de amanhã seja melhor. Encho-me de tudo aquilo que me ajuda a avançar e tento não olhar para o lado, com medo do que posso encontrar. O vazio onde devia estar alguém, mas onde ninguém se atreveu a ficar. Mas, por outro lado, não sei se todos estes pensamentos culminarão em algo positivo ou se apenas trarão mais desilusões ao meu coração. 
Quero acreditar que a vida é um ciclo perfeito, no qual estamos em constante movimento, percorrendo os mesmos traços circulares vezes incontáveis. Um ciclo no qual nunca permanecemos no mesmo ponto por muito tempo. A vida encarrega-se ela mesma de nos levar dos lugares mais inóspitos de si mesma para os mais luminosos, e o contrário. Nunca ficamos muito tempo no fundo, nem muito tempo no topo e é aí que está o segredo de tudo isto. Em aproveitar todos os momentos em que estamos no topo, apreciando cada segundo em que não estamos a ser arrastados para baixo de novo. Dar valor aos momentos simples, para que as alturas tormentosas não se façam de tamanha gravidade. Saborear cada sensação de paz momentânea, e esperar pelos dias dolorosos. 
Não mais me dou permissão para festejar demasiado os tempos calmos, por saber que estes são raros e que nunca duram muito tempo. Não me dou ao luxo de pensar que assim será para sempre, pois todos os dias põem em risco tudo o que tenho. As coisas estão serenas agora, mas talvez isto seja apenas o cansaço a manifestar-se na minha perceção das coisas e quem sabe o dia de amanhã não trará de novo as lágrimas. Tudo o que posso fazer agora, é aproveitar para recarregar as baterias para mais uma batalha sangrenta. Desfrutar do que este momento me ocupa e esperar pelo que aí virá. 
Pacientemente.

domingo, 29 de setembro de 2013

importância


"Nós só damos importância assim, às pessoas que são importantes para nós."
E ontem esta foi, provavelmente, a frase que mais sentido fez para mim, sussurrada entre a multidão, num momento em que o que eu mais queria era sair a correr daquele espaço fechado, deixando as minhas lágrimas misturarem-se com a água da chuva. E é verdade. As coisas só se abatem sobre nós deste modo esmagador quando as pessoas nos dizem algo, quando não ficamos indiferentes às suas ações e quando tudo o que mais desejamos é voltar atrás no tempo. Nós não sofremos por quem não nos aquece nem nos arrefece. Não choramos por pessoas com quem nos cruzamos na rua sem sequer olhar duas vezes. Se sofremos, é porque amamos. Se damos importância, é porque quem nos magoou, significa alguma coisa para nós. Caso contrário, porque estaria eu à beira das lágrimas? Se, de facto, eu não gostasse das pessoas que me desiludiram, porque me importaria? Sim, quem mo disse, tinha toda a razão. Mais do que isso, quem mo disse, não precisou de ver as lágrimas a escorrerem pelo meu rosto, nem de saber o que ocupava a mente, para tocar nesse ponto tão sensível. Não sofro por não confiar. Sofro por ter confiado demais. Por amar quem me atraiçoou, por saber que faria tudo por elas. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Recortes do Passado #3 ♥


7 de Junho de 2013 "Hoje entrei de férias (supostamente), apesar de ainda ter dois exames pela frente, o que se traduz em três semanas de estudo. A verdade é que odeio despedidas, com tudo o que se deixa por dizer, por todos os gestos que ficam pelo caminho. Ainda que saiba que irei rever a minha turma pela escola a esclarecer dúvidas e também na realização dos exames, já para não falar no jantar de turma já marcado, abandonar a escola hoje deixou-me um travo amargo a saudade. É agora que tudo muda. É agora que se rompem muitas ligações e se solidificam outras. Hoje foi o último dia em que tive aulas com esta turma. A última vez que olhei à volta e vi todos aqueles 14 rostos na mesma sala, num dia normal. É agora que todos seguimos caminhos diferentes. Uns escolheram uma secundária, outros escolheram a outra e há ainda aqueles que se decidiram por outros caminhos. Há aqueles que traçarão a sua vida nas línguas, e outros na matemática, e ainda outros que optaram pela veia desportiva. O que é certo é que me custa deixá-los a todos. Não, nunca fomos a turma perfeita, nunca fomos um modelo de união, sempre houve pessoas com quem uns se davam melhores do que outros. Não, não éramos os mais bem comportados, ma também não eramos os maiores terroristas da sala de aula. Havia um certo equilíbrio. Havia os momentos de risada sem fim e os momentos de absorção e interesse total. Havia as borrachas voadoras, as mensagens secretas e as piadas secas. Mas acima de tudo, havia confiança, partilha, conhecimento. Estávamos quase todos juntos desde a primária e isso tem muito que se lhe diga. Conhecíamo-nos uns aos outros, vimo-nos crescer em conjunto, presenteámos os dramas, as parvoíces e as mudanças uns dos outros e acolhemos sempre quem vinha de fora. Não fomos a turma modelo, mas fomos uma turma que eu não trocava por nada. E é por isso que as saudades apertam tanto, por saber que nunca terei uma turma como esta. Fomos o 6ºA, o 7ºG, o 8ºF e o 9ºE. Fomos uma família que hoje se começa a separar. Só espero que nada disto seja definitivo. Que não haja distância que nos impeça de nos cruzarmos na rua e de partirmos a correr para um abraço. Que não haja distância que nos impeça de nos encontrarmos no futuro para saber todas as novidades. Que não haja distância que nos impeça de mandar uma mensagem a perguntar se está tudo bem. Que não haja distância que nos impeça de nos contactarmos. Não quero que o que no passado se passou se repita. Quero mante-los a todos. Mesmo aqueles com quem nunca me identifiquei, mas com quem de certo tenho boas memórias. Vamos por caminhos diferentes, mas temos um passado comum. É isso que deixa saudade."

Não sei até que ponto tudo isto se mantém. Afinal os caminhos apartaram-se mesmo e as ligações estão-se a romper... Mas as saudades estão lá.