Mostrar mensagens com a etiqueta desilusão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desilusão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de outubro de 2013

nightmare


Dói aperceber-me que tenho e terei, a partir de agora, de passar por um inferno cada vez que quiser sair de casa, para depois ver e ouvir coisas que me magoam, que me irritam e que me deitam abaixo. Dói sentir o meu corpo a tremer e a minha confiança a diminuir acentuadamente por ouvir palavras que me ferem. Não quero ser paranóica, mas sinto que está tudo a regredir, a voltar ao início. Sinto que está tudo a acontecer de novo, a repetir-se, e que desta vez eu posso não aguentar. Eu queria isto, mas de modo diferente. E agora tornou-se simplesmente um pesadelo do qual duvido vir a acordar. Resta-me continuar a aguentar. A cumprir aquelas que são agora as minhas responsabilidades e a envergar uma máscara que pusera de parte há muito. Resta-me continuar a dar o meu melhor, mesmo sabendo que nunca será suficiente. Mesmo sabendo que nunca serei capaz de fazer tudo bem. Mesmo sabendo que algumas palavras continuarão a diminuir-me. Resta-me aprender a viver neste pesadelo.

domingo, 29 de setembro de 2013

importância


"Nós só damos importância assim, às pessoas que são importantes para nós."
E ontem esta foi, provavelmente, a frase que mais sentido fez para mim, sussurrada entre a multidão, num momento em que o que eu mais queria era sair a correr daquele espaço fechado, deixando as minhas lágrimas misturarem-se com a água da chuva. E é verdade. As coisas só se abatem sobre nós deste modo esmagador quando as pessoas nos dizem algo, quando não ficamos indiferentes às suas ações e quando tudo o que mais desejamos é voltar atrás no tempo. Nós não sofremos por quem não nos aquece nem nos arrefece. Não choramos por pessoas com quem nos cruzamos na rua sem sequer olhar duas vezes. Se sofremos, é porque amamos. Se damos importância, é porque quem nos magoou, significa alguma coisa para nós. Caso contrário, porque estaria eu à beira das lágrimas? Se, de facto, eu não gostasse das pessoas que me desiludiram, porque me importaria? Sim, quem mo disse, tinha toda a razão. Mais do que isso, quem mo disse, não precisou de ver as lágrimas a escorrerem pelo meu rosto, nem de saber o que ocupava a mente, para tocar nesse ponto tão sensível. Não sofro por não confiar. Sofro por ter confiado demais. Por amar quem me atraiçoou, por saber que faria tudo por elas. 

forgiving


Gostava de ser detentora da capacidade de perdoar os outros facilmente, mas por muito esforço que empregue nessa tentativa, não sou capaz. Leva tempo até às minhas chagas sararem, até ao sangue estancar e as cicatrizes não passarem disso mesmo. Gostava de poder dizer " Eu perdoo, mas não esqueço" e ser totalmente verdade, mas não é. Eu não esqueço, de facto. Mas também não perdoo de imediato. Não confio em qualquer um à toa, e até que essa confiança seja desenvolvida outra vez, muitas provas são precisas. Sim, gostava de ter essa capacidade de mandar tudo para trás das costas e deixar tudo ficar lá, mas não consigo. Muito do que vai para trás das costas fica agarrado às mesmas, à espera de uma oportunidade para voltar a assombrar-me. E volta, sempre, fazendo de mim uma escrava do passado. Transformando os meus pensamentos em pesadelos, os meus sorrisos em lágrimas e a minha vida num tormento. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

humans, but no humanity


Se há algo que cria em mim um necessidade de compreensão transcendente é a Humanidade. Os motivos que levam seres pensantes como nós, a cometer atrocidades impensáveis. Pessoas que matam outras porque sim. Pessoas que torturam outras porque lhes dá prazer. Violadores. Incendiários. Pedófilos. Pessoas que tiram a vida aos animais só porque "é divertido". Pessoas que iniciam guerras, pessoas que apoiam a existência de guerra. Seres que nem de Humanos podem ser chamados, tal o grau de desumanidade que os classifica. Pessoas que mancham a História da Humanidade com atos horríveis e que deixam marcas irreparáveis nas personalidades envolvidas. Casos como o ataque às Torres Gémeas ou o Nazismo.Ou até mesmo todos os incêndios que correram o nosso país nos últimos meses. Casos que ainda hoje me chocam ao estudá-los ou ao ver documentários respectivos aos mesmos. Atos que me revoltam e que fazem crescer em mim um eterno desprezo pela raça humana. Talvez seja por esse motivo que evito ouvir as notícias, ou ler o jornal. Ao invés disso leio livros. O Mundo tem tanto de bom, tanto de maravilhoso... Para quê ouvir ou ler desgraças? Porque não aumentar a minha cultura de outro modo? Não, não ando alheia ao Mundo lá fora, apenas opto por não lhe prestar tanta atenção. Condenem-me por não querer pautar a minha vida com sucessivas desgraças. 
Ainda assim, compreender o que nos move, o que nos motiva, o que nos leva a tomar determinadas atitudes, é algo que que gostava de um dia conseguir. Estudar casos particulares, enveredar por uma área que me dê acesso a isso, que me conceda a oportunidade de mitigar esta necessidade. Algo que não perdoe, mas que justifique a raça humana. Esta raça que me faz perder a esperança de um mundo melhor.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

bullet


-30 de Agosto de 2013
Se me fosse dada uma arma neste preciso momento, o meu primeiro instinto seria apontá-la à minha própria cabeça e premir o gatilho. Sem hesitações, sem segundos pensamentos. Poria termo à minha vida num piscar de olhos e todo este sofrimento acabaria de uma vez por todas. Todos estes assomos de culpa, raiva e desilusão deixariam de existir. Não vejo agora outra maneira de me libertar destas correntes que me prendem, que me extenuam e me roubam a respiração. Estou amordaçada, sem poder gritar, sem ter a possibilidade de libertar este pranto sem fim que se acumula no início da minha garganta e que me sufoca a cada segundo. Gritar ajudaria, presumo. Mas nem tanto quanto atirar-me de um penhasco. Quase que sou capaz agora mesmo de ouvir as palmas repercutirem-se no ar à minha volta, vindas das mãos repletas de sangue daqueles que antes empunhavam uma faca direita às minhas costas. A faca está lá, não desapareceu. Desapareceram, melhor dizendo, pois agora vejo com clareza e sei que mais do que uma me atingiram, trespassando a pele, furando a carne, entranhando-se na minha alma, roubando-me qualquer réstia de sentimento bom. Mas devo um pedido de desculpas a alguém antes de me entregar à morte. Não demorará muito, mas é necessário. Consigo morrer com a raiva e a desilusão em mim, mas não com a culpa, não com este sentimento que tanto destrói à sua passagem. Preciso de o expulsar, seja de que forma for. Desculpas não apagam os erros, não cobrem as falhas, não melhoram nada, por muito que sejam pronunciadas. Não apagam memórias, não desfazem todo o mal feito, não mudam o passado. Não valem nada. Mas ainda assim dizemo-las, tentando que de algum modo elas aliviem a dor, o sofrimento, próprio e alheio. Sempre com a esperança de que façam a diferença, de que gritem por nós que foram erros inocentes, falhas nunca programadas, que nada foi propositado. Se resulta? Não, nunca resulta. Mas que hipóteses temos? Agir, compensar? Como? Receio já não ter tempo para isso. Para mudar o presente e o futuro, como também não posso agora fazer com o passado. Não, não quero ter tempo para isso, pois mais tempo significa agora uma dor insuportável, que nem o mesmo curará. Preciso de me livrar disto de outro modo. Por isso peço desculpa, por ter falhado, por não ter conseguido evitar tudo, por ter arriscado tudo. E desculpas também por não ser capaz de viver com isso. Um pedido de desculpas simples. E agora sei a resposta… Não. Nunca leva com ele a culpa que nos ocupa, nem nunca anulará a desilusão, mas pelo menos eu tentei. Posso cair agora, para nunca mais me levantar.