Olho para ti e sorrio. Por entre olhares fugazes e imperceptíveis, por entre assentimentos mútuos e sorrisos suaves, sinto o meu coração a palpitar como se estivesse prestes a saltar-me do peito. É esse o efeito que tens sobre mim. É nesse estado de nervosismo e arrepios constantes que fico quando te avisto, quando te ouço ou simplesmente quando o teu nome é pronunciado ao meu redor. Alguns chamam-lhe paixão, outros amor, mas eu sinceramente não sei o que é isto. Houve um tempo em que achava saber, mas hoje já não digo o mesmo. Poderá o amor ser assim tão poderoso? Poderá ele comandar a minha vida assim, esmagar-me com a ajuda das saudades e preencher-me com a emoção de estar perto de ti? Poderá o amor ser tão dono de mim como este sentimento aparenta ser? Ou és simplesmente tu que me atrais desta maneira irrefutável? Acho que nunca saberei.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
death.
Desejares pôr termo à tua vida e fazê-lo, de facto, são coisas muito distintas uma da outra. Pensar e agir não é bem a mesma coisa. Ainda assim, se pensarmos bem, quando chegamos ao ponto de desejar a nossa própria morte, é porque algo em nós já está morto. Quando uma faca se torna aliciante e um precipício nos atrai de uma maneira inexplicável, é porque algo se quebrou para não mais se recompor. Não se trata apenas de não estar de bem com a vida, mas de já não saber o que é viver. É já não conhecer outra emoção senão dor. Já nem sequer é ter medo, pois o medo mais imperativo é a morte, e esse saiu derrotado. Quando morremos por dentro, transformamo-nos num corpo cadavérico e vivemos na esperança que a morte nos leve sem termos de ser nós a bater-lhe à porta. E quando a nossa alma se torna tão negra que já nada tem a ver connosco, sobrevivemos sem saber o porquê.
Eu sei o porquê de ainda não ter terminado tudo. Eu sei o porquê de ainda resistir aos objetos contundentes, o porquê de ainda não ter sucumbido à atração do precipício. Eu sei o porquê de ainda não ter deixado tudo para trás. Não é por temer a dor, ou por fugir da morte. Não é por ver ainda alguma coisa de bom neste mundo empedernido de más intenções. É simplesmente por reconhecer a dor que tal ato infligiria à única pessoa com quem me importo. Simplesmente por saber que mataria outra pessoa por dentro e por não desejar isso a ninguém. E se isso é motivo suficiente por fazer as lágrimas correr ao invés do sangue? Por enquanto é. Por enquanto é a única coisa que me resta e que eu não quero destruir ainda mais, mesmo vendo os benefícios que isso traria.
Já fiz estragos suficientes e reconhecer isso é um dos chamamentos para o outro lado. Lado esse que ouço clamar o meu nome incessantemente, envolvendo-me, chamando-me. E eu quero ir. Quero desprender-me de tudo o que ainda tenho e responder. Mas não quero provocar mais dor que aquela que já provoquei a quem nada disso merecia. E é por isso que aguento. Sobrevivendo cada dia, morrendo um pouco diariamente. Na vã esperança que o meu destino tenha sido desenhado curto.
sábado, 5 de outubro de 2013
nightmare
Dói aperceber-me que tenho e terei, a partir de agora, de passar por um inferno cada vez que quiser sair de casa, para depois ver e ouvir coisas que me magoam, que me irritam e que me deitam abaixo. Dói sentir o meu corpo a tremer e a minha confiança a diminuir acentuadamente por ouvir palavras que me ferem. Não quero ser paranóica, mas sinto que está tudo a regredir, a voltar ao início. Sinto que está tudo a acontecer de novo, a repetir-se, e que desta vez eu posso não aguentar. Eu queria isto, mas de modo diferente. E agora tornou-se simplesmente um pesadelo do qual duvido vir a acordar. Resta-me continuar a aguentar. A cumprir aquelas que são agora as minhas responsabilidades e a envergar uma máscara que pusera de parte há muito. Resta-me continuar a dar o meu melhor, mesmo sabendo que nunca será suficiente. Mesmo sabendo que nunca serei capaz de fazer tudo bem. Mesmo sabendo que algumas palavras continuarão a diminuir-me. Resta-me aprender a viver neste pesadelo.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Não faças o que eu faço.
Seria tudo tão mais fácil se eu soubesse seguir os meus próprios conselhos. Se eu em vez de dizer "Princesa tu és linda tal como és", não odiasse o meu corpo. Se eu em vez de dizer "Tu és forte e és capaz de superar tudo", o conseguisse de facto, ser. Se eu em vez de de dizer aos outros que podem contar comigo para desabafarem, fosse capaz de me abrir sem reservas a alguém. Seria tudo tão mais simples se eu conseguisse iluminar o meu próprio dia. Se eu fosse capaz de pôr um sorriso inabalável na minha face, em vez de apenas o dizer aos outros para o fazerem. Seria ótimo que eu não aconselhasse apenas os outros a amarem-se e começasse, de facto, a gostar de mim própria. Seria fantástico... mas eu não consigo. Dou imensos conselhos que não sei seguir e há de ser sempre assim. Faz o que eu digo, nunca faças o que eu faço.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Se eu fosse um livro...mas não sou.
Se eu fosse um livro e tu me pudesses abrir agora, e ler cada página detalhada de todos os sentimentos, pensamentos e emoções que me ocupam, serias esmagado pela minha própria dor. Pela tristeza que emana dos meus vasos sanguíneos e pela melancolia que emerge das minhas células. Ficarias aterrado com o toque áspero das minhas folhas e submerso no pânico das minha linhas. Serias consumido pelo negrume das minhas letras e abalado pela sua acidez. Se pudesses abrir-me agora e ler cada pedaço do meu coração, chorarias do início ao fim, envolto num sofrimento sem fim. Se tivesses uma chave que te desse acesso a tudo o que me preenche, não serias capaz de ir até aos confins do meu ser, pois terias demasiado medo de continuar. Não sou um livro, nem tal chave existe e assim, nunca saberás quem sou eu, no interior da minha alma. Apenas te posso dizer que é negra, de uma maneira que nunca saberás imaginar. É sofrida, e dorida. Chora. E nas suas entranhas está tudo aquilo que um dia me magoou e que eu não soube deitar fora. Tudo aquilo que guardei, criando uma pequena bomba pronta a explodir a qualquer momento. E esse momento não demorará a chegar.
domingo, 29 de setembro de 2013
importância
"Nós só damos importância assim, às pessoas que são importantes para nós."
E ontem esta foi, provavelmente, a frase que mais sentido fez para mim, sussurrada entre a multidão, num momento em que o que eu mais queria era sair a correr daquele espaço fechado, deixando as minhas lágrimas misturarem-se com a água da chuva. E é verdade. As coisas só se abatem sobre nós deste modo esmagador quando as pessoas nos dizem algo, quando não ficamos indiferentes às suas ações e quando tudo o que mais desejamos é voltar atrás no tempo. Nós não sofremos por quem não nos aquece nem nos arrefece. Não choramos por pessoas com quem nos cruzamos na rua sem sequer olhar duas vezes. Se sofremos, é porque amamos. Se damos importância, é porque quem nos magoou, significa alguma coisa para nós. Caso contrário, porque estaria eu à beira das lágrimas? Se, de facto, eu não gostasse das pessoas que me desiludiram, porque me importaria? Sim, quem mo disse, tinha toda a razão. Mais do que isso, quem mo disse, não precisou de ver as lágrimas a escorrerem pelo meu rosto, nem de saber o que ocupava a mente, para tocar nesse ponto tão sensível. Não sofro por não confiar. Sofro por ter confiado demais. Por amar quem me atraiçoou, por saber que faria tudo por elas.
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forgiving
Gostava de ser detentora da capacidade de perdoar os outros facilmente, mas por muito esforço que empregue nessa tentativa, não sou capaz. Leva tempo até às minhas chagas sararem, até ao sangue estancar e as cicatrizes não passarem disso mesmo. Gostava de poder dizer " Eu perdoo, mas não esqueço" e ser totalmente verdade, mas não é. Eu não esqueço, de facto. Mas também não perdoo de imediato. Não confio em qualquer um à toa, e até que essa confiança seja desenvolvida outra vez, muitas provas são precisas. Sim, gostava de ter essa capacidade de mandar tudo para trás das costas e deixar tudo ficar lá, mas não consigo. Muito do que vai para trás das costas fica agarrado às mesmas, à espera de uma oportunidade para voltar a assombrar-me. E volta, sempre, fazendo de mim uma escrava do passado. Transformando os meus pensamentos em pesadelos, os meus sorrisos em lágrimas e a minha vida num tormento.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
bullet
-30 de Agosto de 2013
Se me fosse dada uma arma neste preciso momento, o meu
primeiro instinto seria apontá-la à minha própria cabeça e premir o gatilho.
Sem hesitações, sem segundos pensamentos. Poria termo à minha vida num piscar
de olhos e todo este sofrimento acabaria de uma vez por todas. Todos estes
assomos de culpa, raiva e desilusão deixariam de existir. Não vejo agora outra
maneira de me libertar destas correntes que me prendem, que me extenuam e me
roubam a respiração. Estou amordaçada, sem poder gritar, sem ter a possibilidade
de libertar este pranto sem fim que se acumula no início da minha garganta e
que me sufoca a cada segundo. Gritar ajudaria, presumo. Mas nem tanto quanto
atirar-me de um penhasco. Quase que sou capaz agora mesmo de ouvir as palmas
repercutirem-se no ar à minha volta, vindas das mãos repletas de sangue
daqueles que antes empunhavam uma faca direita às minhas costas. A faca está
lá, não desapareceu. Desapareceram,
melhor dizendo, pois agora vejo com clareza e sei que mais do que uma me
atingiram, trespassando a pele, furando a carne, entranhando-se na minha alma,
roubando-me qualquer réstia de sentimento bom. Mas devo um pedido de desculpas
a alguém antes de me entregar à morte. Não demorará muito, mas é necessário.
Consigo morrer com a raiva e a desilusão em mim, mas não com a culpa, não com
este sentimento que tanto destrói à sua passagem. Preciso de o expulsar, seja
de que forma for. Desculpas não apagam os erros, não cobrem as falhas, não
melhoram nada, por muito que sejam pronunciadas. Não apagam memórias, não
desfazem todo o mal feito, não mudam o passado. Não valem nada. Mas ainda assim
dizemo-las, tentando que de algum modo elas aliviem a dor, o sofrimento,
próprio e alheio. Sempre com a esperança de que façam a diferença, de que
gritem por nós que foram erros inocentes, falhas nunca programadas, que nada
foi propositado. Se resulta? Não, nunca resulta. Mas que hipóteses temos? Agir,
compensar? Como? Receio já não ter tempo para isso. Para mudar o presente e o
futuro, como também não posso agora fazer com o passado. Não, não quero ter
tempo para isso, pois mais tempo significa agora uma dor insuportável, que nem
o mesmo curará. Preciso de me livrar disto de outro modo. Por isso peço
desculpa, por ter falhado, por não ter conseguido evitar tudo, por ter
arriscado tudo. E desculpas também por não ser capaz de viver com isso. Um
pedido de desculpas simples. E agora sei a resposta… Não. Nunca leva com ele a
culpa que nos ocupa, nem nunca anulará a desilusão, mas pelo menos eu tentei.
Posso cair agora, para nunca mais me levantar.
sábado, 7 de setembro de 2013
Durante muito tempo andei perdida entre dois mundos paralelos. Nunca soube por qual deles optar, sabendo perfeitamente que uma escolha dupla era impossível. Mundos distintos que ainda hoje me dividem. Que ainda hoje me baralham e tiram do sério. Que ainda hoje me revolvem o estômago. Fogo ou Gelo. Calor ou Frio. De um lado o Cérebro. Do outro, o Coração.
Optei por um coração frio. Suponho que agora não seja difícil entender o meu nome. Sophie Coldheart.
Sou apenas um fantasma da pessoa que um dia fui. Um fantasma do coração quente que um dia tive. Morri, e agora estou a renascer.
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