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terça-feira, 9 de maio de 2017

olá, meu eu do futuro


Roubando a ideia (giríssima) que a AxelleDara partilhou no blogue dela (aqui mais precisamente), resolvi também eu criar uma listinha de perguntas que faria a mim própria se me encontrasse com o meu eu do futuro. Perguntas estas às quais responderei daqui a um ano, como balanço de 2014. 

Sophie, diz-me:

Conseguiste concentrar-te finalmente nos estudos e subir a média pobre que tinhas?
Conseguiste por fim derrotar o "Bolacha" e melhorar a nota daquela disciplina horrível?
Conseguiste passar no exame de mota à primeira?
Fizeste a mega festa de aniversário que tanto desejavas?
Estás contente com o rumo que deste ao blogue ou desististe deste também?
Como foi o concerto em Julho? Gostaste?
Conseguiste sair daquela fase horrível que atravessaste?
Começaste a sair mais à noite?
2014 valeu a pena?
May the odds be ever on your favour

quarta-feira, 30 de abril de 2014

profundo silêncio


Sou pessoa de grandes conversas, mas acima de tudo, de profundos silêncios. Quando algo me atormenta e até mesmo quando nada muda, o silêncio assola-me inúmeras vezes, toma conta do meu espírito e paralisa o meu corpo, deixando-me entregue à minha mente sádica. Parece que esgoto as palavras com tudo o que me surpreende, apaixona ou revolta e mergulho na imensidão do vazio com tudo o que me fere, destrói e corrói. Gosto da melodia do silêncio que não se deixa perturbar pelo incessante pensar, do silêncio de um olhar que vigia o mundo e do silêncio de um abraço que afaga o âmago. Confortam-me os silêncios que não se tornam constrangedores e as ausências de som que me cobrem de serenidade. Mas muitas mais vezes me deixo cair nos silêncios que magoam e que me derrotam. Silêncios que não ouso perturbar com medo de não aguentar a dor e de fazer detonar a bomba que e forma nas minhas entranhas, no mais fundo de mim.
Dizem que falo muito, que não me calo um segundo e que devia abrandar, por vezes, mas poucos reconhecem a importância das minhas palavras face aos meus longos e demorados silêncios. Poucos se apercebem que, se não expressar tudo com a efusividade com que o faço, que se me cortarem a palavra e me impedirem de continuar, serei obrigada a cair de novo na imensidão da ausência de palavras, no silêncio imperturbável em que a minha alma se recolhe.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

uma tela nua


Com todas as cores prostradas em cima da mesa, ordenadas numa gradação que lhe era tão familiar, o seu olhar azeitona procurava incessantemente a tonalidade perfeita para delinear a sua alma. Os seus olhos pousaram no azul celeste e imediatamente se apercebeu que aquela não seria a cor que escolheria para decorar o branco imaculado da tela que escolhera. Passou ao magenta e, ainda que lhe lembrasse o sangue que lhe jorrada das falhas que abrira nos próprios pulsos, negou-lhe a preferência: não era cor digna de uma alma tão sádica e temerosa. Ao amarelo, virou a cara sem pensar uma segunda vez e ao laranja fez apenas um trejeito desvalorizador, pondo-o de parte à partida. Amante da natureza na sua forma mais pura, pegou no verde esmeralda e, após hesitar por um segundo, atirou-o para longe, livrando-se de tal opção. O rosa era tom que lhe lembrava a sua infância roubada e, esforçando-se por não se demorar nestes pensamentos, desviou o olhar dele também, ignorando a sua existência. Nos entretantos, a tela permanecia de um branco puro, desejando ardentemente ser preenchida por um qualquer tom que lhe roubasse a monotonia de vazia ser. Na sua decidida indecisão, confrontou o castanho que lhe atraía a atenção, mas rápido se apercebeu que lhe faltava a escuridão que a consumia e destruía. Mas afinal, de que cor era a sua alma? Movendo o seu corpo desnudado e frágil de um lado para o outro, na vã esperança de assim desenhar na sua mente a cor que lhe assentaria que nem uma luva, deparou-se consigo mesma parada em frente ao espelho decrépito que lhe pendia no meio do quarto. Fitou o seu corpo marcado de incertezas e cicatrizes e olhou-se depois fixamente nos olhos. Não diziam eles que os olhos são o espelho da alma? Aproximou-se um pouco mais e, sem desprender os olhos do seu reflexo, perscrutou no fundo de si. Despiu cada camada da sua tão intrincada personalidade e espreitou a sua alma condenada. Seriam aquilo lágrimas nos seus olhos? Afinal a sua alma era tão negra quanto o seu olhar. Uma alma assombrada, perdida nas infindáveis questões de um ser que não sabe ser. Mais uma tela que seria ponteada pela escuridão de uma noite sem estrelas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

cansaço, é apenas isso


Quero escrever, quero agarrar-me às palavras que me compreendem melhor do que ninguém e limpar a minha alma atormentada por todos estes fantasmas, preciso de me perder novamente por entre as linhas que vão aumentando sem que eu disso tenha percepção. Quero procurar a inspiração no amor, na paixão, na verdade, na vida, nas gotas da chuva que deslizam pelo vidro da minha janela ou até naquele céu escuro, pontilhado pelo brilho cintilante de infinitas estrelas, mas estou esgotada. Física e mentalmente. Sinto cada músculo do meu corpo a suplicar por descanso e cada neurónio da minha cabeça a exigir uma pausa. Estou cansada. Cansada de amar demais, de me preocupar demais, de fingir uma tranquilidade que praticamente não existe, demais. A exaustão leva a melhor, e eu apenas quero voltar a escrever. Quero voltar às palavras que me acolhem quando mais ninguém me quer ouvir. Quero voltar à escrita, que foi e é o meu porto de abrigo, mas não consigo. Não consigo, porque estou cansada. 
Preciso mesmo de uma boa noite de sono.

domingo, 5 de janeiro de 2014

o silêncio ensurdecedor da ausência de palavras


Sinto que estamos a perder o rumo. Os simples pormenores de ti que eu achava saber de cor, esfumam-se agora em frente ao meu olhar. Já nem sei qual é o teu odor desde que alteraste de perfume ou qual o sabor dos teus lábios. Passou um mês desde a última vez em que senti o calor do teu abraço e o poder do teu carinho. Um mês desde a última vez em que te nos perdemos no olhar um do outro. E eu sinto que não consigo continuar a aguentar esta distância. Tu conheces-me, disso não tenho dúvidas. Mas quando foi a última vez que soubeste realmente o que fiz durante o meu dia? Não, eu não te conto, mas apenas porque sinto que isso te ai aborrecer. Tens a tua vida, andas ocupado. Acredita, eu sei. Mas sinto que já não há espaço na tua vida para mim. Há espaço para eu te reconfortar, há espaço para cairmos num silêncio ensurdecedor, mas não há tempo para eu te encher a cabeça com os meus problemas, dúvidas e medos. Quero partilhar os meus sonhos contigo, quero que partilhes os teus comigo, mas parece que está tudo a ficar pelo caminho. Estamos a caminhar para onde?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A new year is waiting for us


2013. Dói só de relembrar tudo o que este ano me trouxe. Apesar de todas as surpresas boas que tive, dou por mim a olhar-me ao espelho e a ver um reflexo cansado, fraco e com olheiras do tamanho do mundo. Estou extenuada, esgotada e farta de sofrer. 2013 é um ano para esquecer. Um ano que, ainda que me tenha trazido imensos ensinamentos, apagaria sem pensar duas vezes. Sofri e fiz sofrer, odiei-me e pensei em pôr termo à minha vida mais vezes que aquelas que é bom admitir. Cometi erros que me saíram bem caros e durante meses, senti esse preço na pele. Foi um ano de mudanças, um ano em que aprendi inúmeras lições a muito custo e um ano que quero deixar no passado.
Nem tudo foram coisas más. E este espacinho é a prova disso. O meu regresso à blogosfera foi o que de melhor me aconteceu e encontrei tanto apoio aqui que não tenho palavras para agradecer o quanto fizeram por mim, mesmo sem me conhecerem, durante estes quase quatro meses. Todas as palavras de carinho, alento e apoio que me fizeram sorrir até nos piores momentos, significaram o mundo para mim e eu não podia ficar mais feliz por fazer de novo parte desta família. 
Sinto que, aos poucos, estou a ganhar de novo amizades que valem a pena, amizades que importam, tanto aqui dentro, como lá fora e, apesar de manter as minhas reticências fruto do passado, cada vez me sinto melhor junto daqueles com quem agora partilho o dia a dia. A confiança em si, é custosa de construir, mas cansei-me de ser tão cheia de profundos problemas e sentimentos. Quero aprender a desprender-me mais do valor que dou ao que me destrói, quero importar-me menos e viver mais o momento, sem me preocupar em tentar deslindar quais aqueles em quem devo confiar, sem ter de partilhar o que me ocupa com ninguém. Serei eu mesma, sem o ser, tal como tenho feito perante aqueles que agora se revelam boa companhia. 
Este foi um ano de provas, de obstáculos e de desafios. Não fui o melhor de mim para quem o merecia. 
2013 trouxe-me aquela que foi a pior fase da minha vida, desde que me recordo, mas deu-me também sementes para eu olhar para o futuro sem receio, pois pior, não julgo que possa ser. Vou iniciar este ano e esperar, sem expectativas, pois são elas que mais destroem.


Vêm aí 365 páginas para colorir e como eu preciso de abandonar os tons escuros e frios e de os substituir pela vivacidade das cores quentes! Só necessito que 2014 se revele um pouco melhor que estes doze meses que o antecederam.

Este ano vou:

 Tirar a carta de mota;
 Festejar o meu aniversário;
 Subir a minha média;
 Ir a um concerto;
 Estar com a minha americana no verão;
 Estrear e abusar do meu Wreck This Journal;
 Sorrir mais;
 Amar mais;
 Chorar menos.
e... (um desejo muito especial)
 Conhecer a Cláudia S. Reis e a julliette *

E desejo, aos melhores seguidores do mundo - vocês - que o melhor do vosso 2013, seja o pior de 2014, que aproveitem ao máximo cada dia, e que, daqui a um ano, possam dizer que 2014 foi o ano

domingo, 22 de dezembro de 2013

O "não" da derrota


«Ama-lo?
-Sim
Ainda estás apaixonada por ele?
-Sim.»


«Tu ama-la?
-Sim
Ainda estás apaixonado por ela?
-Não.»

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Recortes do Passado #8 ♥


Abril 2013
"Quando o avião levantou voo, respirei de alívio. Dentro de um par de horas, estaria de novo perto de ti e isso bastava para acalmar o meu pequeno coração. Apesar do cansaço acumulado, das horas dormidas a passo de corrida e do pesar da saudade, não fui capaz de sucumbir ao sono, ficando desperta durante toda a viagem.
Andar de avião foi, desde muito cedo, uma sensação de serenidade imensa e, fazê-lo de volta a casa - desta vez contrariamente ao que me é habitual - preencheu-me de uma dualidade de sentimentos. Saudade e contentamento. Aquela sensação de pesar que sempre me acompanha nos regressos a casa, quando tenho de abandonar os locais que visito, deixou-me naquela noite, sendo substituída pela mais pura das felicidades. Por estar a voltar para ti, por estar a encurtar a distância que separava os nossos corpos, por trazer comigo experiências que deviam ter sido partilhadas contigo.
Inclinei-me até alcançar a minha mochila que se encontrava debaixo do meu banco e tirei de lá a tua camisola. Aquela onde ainda se podia sentir o odor a ti, agora já misturado com o meu aroma, aquela com a qual eu dormira todas as noites, na esperança de que isso te trouxesse aos meus sonhos. Levei-a até ao meu rosto e inspirei, sentindo aquele aroma tão teu, saboreando a doçura das memórias que me assaltavam a mente. 
"Deixa-me adivinhar... É do namorado! Estou certo?" 
Corei. 
"Ah! Essa cara diz tudo! É mesmo dele! Estás tão apaixonada, miúda... Conta-me lá, quem é o sortudo?"
A tua imagem apareceu na minha cabeça imediatamente e senti a minha face ganhar uma cor ainda mais rosada. 
"Não o conheces, mas é uma pessoa muito especial para mim."
"Já deu para reparar!"
Sorri. 
Virei ligeiramente o corpo para a janela e, apoiando a cabeça na camisola, mantive o olhar fixo nas luzes das cidades que sobrevoávamos. Uma infinita teia de pontinhos brilhantes que, na noite cerrada, dava todo o sentido àquele momento. Cerrei os olhos. Estava finalmente pronta para sonhar contigo."

domingo, 15 de dezembro de 2013

uma nova era, ou assim espero.


Sinto que estou presa a um passado que se revela agora bastante vingativo. Não sei mais como me largar destas correntes que ainda envolvem os meus tornozelos e que ainda corrompem o meu coração. Quero seguir em frente, preciso de seguir em frente. Preciso de me desprender das memórias que só me fazem sofrer, por serem pedaços de paraíso comparadas com os pedaços de inferno que agora enfrento. Tenho de largar os grilhões que me amarram ao pretérito perfeito que o destino roubou de mim. Preciso de enfrentar a realidade dura que me foi imposta e esquecer o ontem que já não tenho como recuperar. É a única maneira que tenho de sobreviver, de recuperar os pedaços de mim que se têm perdido. É a única maneira de relembrar os gomos de felicidade que um dia senti. Tenho de desligar o que ficou para trás. Esquecer o dias em que tudo era mais fácil e só depois, seguir em frente. Se vai custar? Não pode doer mais do que já dói. Hoje é o dia. O dia em que arranquei de mim os resíduos do passado. O dia em que queimei os pedaços da minha alma. O dia em que rasguei a carne e expurguei o meu coração dos malefícios que as lembranças me trouxeram. Hoje começa uma nova era. Hoje vou viver o presente e desenhar o futuro. Já não existe pretérito. Hoje foi o dia.

sábado, 14 de dezembro de 2013

falta de mim


Sinto falta daquele toque amigo sem segundas intenções. Tenho saudades daquelas palavras que faziam a minha face adquirir um ligeiro tom rosado, das palavras que me afagavam o espírito e que me incentivavam a ser o melhor de mim. Não escondo, tenho saudades do destaque. Tenho saudades de ser diferente, de ser a melhor, de brilhar. Tenho saudades dos abraços prolongados, dos silêncios reconfortantes, de todas as vezes em que neguei aquilo que me diziam ser e que agora já não dizem, pois já não sou. Tenho saudades de ver algo de que me orgulhar quando olhava o espelho de manhã e me deparava com um rosto sonolento de uma guerreira. Tenho saudades dos momentos de intimidade, das gargalhadas incessantes, das conversas aleatórias, da felicidade genuína. Tenho saudades dos dias em que não me odiava. Os dias em que ainda não era um monstro. Sinto falta de mim própria. Sinto falta de... já não sei o quê.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

És jogadora de basquetebol?


Há uns meses atrás perguntaram-me se eu era jogadora de basquetebol. A minha resposta foi negativa, uma vez que nunca tive a oportunidade de entrar para um clube do género, mas era algo que adorava de praticar. Não sei porquê, o basquetebol sempre foi um dos desportos que mais prazer me deu fazer e um daqueles a que nunca renunciei. O motivo de me terem perguntado aquilo foi pelos meus movimentos corporais. De acordo com o rapaz, a maneira como eu introduzo os meus pés no equipamento, primeiro o calcanhar e só depois a ponta e o facto de os ter sempre ligeiramente para dentro quando estou parada, ao que parece, denunciam-me como uma praticante desse desporto que nunca tive a oportunidade de jogar a sério. Agora, que a oportunidade surgiu aqui perto de mim, não tenho a possibilidade de a agarrar e isso deixa-me triste. É a falta de tempo, a falta de espaço na minha vida e os meus horários trocados que me condicionam. Quem me dera arranjar espaço no meu quotidiano para o basquetebol, mas parece-me que ainda não é para já. 
Acho que mais depressa sou capaz de regressar ao meu também querido voleibol, do que vou entrar no basquetebol. Também me fará bem. Aquilo de que mais preciso agora é de distrações que me preencham de contentamento. E o desporto é uma delas. 

domingo, 8 de dezembro de 2013


As lágrimas nem sempre precisam de ser respondidas com palavras. Por vezes, o silêncio de um abraço vale muito mais do que perguntas incessantes. Um "Eu sei" vale mais do que um "O que se passa?" e uma presença silenciosa vale mais do que uma presença ruidosa. Quando eu choro, só preciso que me acalmem na certeza de um abraço e no silêncio quebrado de um "Vai ficar tudo bem".

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

sentir cada palavra


Por muito que um escritor escreva, por muitas criticas que sejam feitas a essa mesma pessoa, há uma critica que acalenta o espírito de qualquer um que se preste a pautar folhas com as suas palavras repletas de mistérios, significados e emoções. Tomarmos o conhecimento de que as nossas palavras tocaram alguém, que emocionaram uma única pessoa que seja, ou que trespassaram as nossas emoções para o leitor, é algo incomparável e que nos parece encher de um poder inabalável. Sendo as emoções, na minha opinião, algo tão árduo de extrapolar, é de facto gratificante receber como critica algo tão simples como "senti cada palavra do teu texto". E é por essa razão que não me privo de o dizer quando algum texto me leva a mergulhar na imensidão de sentimentos que o seu escritor nele imprimiu, por saber que é importante e por ter a noção que qualquer coisa que escrevamos é para alguém, em algum momento, num qualquer tempo. Ninguém escreve por escrever. Uns escrevem na esperança que alguém possa entender o que tentam dizer, outros fazem-no para dar a conhecer parte de si, mas fazem-nos sempre para alguém. Nem que de modo quase inconsciente, toda palavra é solta com um destino. Daí, saber que fomos bem sucedidos na transmissão dessa mensagem é algo, na minha opinião, incrivelmente fantástico e que, a mim, me enche de orgulho, alegria e contentamento. Obrigada por tudo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Recortes do Passado #7 ♥


21 de Setembro de 2012. Mais um dia normal. Estou cansada, mal consigo manter os olhos abertos e a mente desperta, e só eu sei o esforço que faço para escrever estas palavras. Mas tenho de o fazer. Necessito de expulsar esta nostalgia, raiva e tristeza de dentro de mim. Consomem-me e torturam-me e, ainda que não queira perecer, as forças falham-me. Sinto-me fraca e consumida por um sentimento que não sei expressar. 
A minha mente encontra-se confusa e desgastada, e, depois de uma semana exaustiva, sinto-me prestes a desistir. Vagueio perdida entre dois mundos, dividida entre dois dialetos. 

18 de Outubro de 2012. Os dias continuam a passar e vejo a vida passar-me à frente dos olhos como um tornado, rápida e difusa. 
Meti-me numa encruzilhada e temo já estar tão embrenhada nela que, ao escapar, possa sofrer as consequências cruas e danosas dos meus atos. As consequências que seguir o meu coração pode trazer.
Olho ao meu redor e vejo espelhado nos rostos que me são conhecidos, as verdades que as bocas não pronunciam. Pergunto-me se será normal sentir-me tão deslocada por vezes. Pergunto-me se será uniforme por entre as mentes que me rodeiam ou se serei a única a questionar a verdade intrínseca da vida. Da minha existência.
Como já tantas vezes me disseram, não posso alimentar tanto rancor em mim. Era suposto ter certas dúvidas, mas deixá-las para trás em busca de nova aventura. E como eu gostava de me assemelhar aos que me rodeiam, obedecendo a essa regra. Mas não é assim que eu sou, não é assim que ajo e penso. Sempre guardei e sempre guardarei as falhas, os erros e as desilusões no meu coração e na minha mente. Irei sempre lembrar o mal que foi feito e, não raro, mas também não ocorrente, o que de bom foi efetuado. 
Por vezes, chegamos a duvidar e a questionar quem serão aqueles pelos quais valeu a pena lutar. Quem são aqueles que nos irão segurar nas quedas e respeitar nas decisões. Quem estará lá incondicionalmente. 
Se acharmos dentro de nós a resposta "Ninguém", é hora de recomeçar.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

estou curiosa...


Se há algo que eu tenho curiosidade em saber é a imagem que passo a quem visita e segue os meus devaneios por estes lados. Que idade pensam que tenho, como me imaginam fisicamente, o que pensam da minha personalidade... Que impacto tem o que escrevo em quem o lê... 
O que é que acham de mim? O que é que eu vos transmito? 

-Quem sabe a minha idade não vale divulgá-la :) -

terça-feira, 26 de novembro de 2013

reflexo da alma


Dispo-me dos preconceitos e das mágoas que me sufocam. Desprendo este cinto de pesadelos que me aperta e liberto-me deste colar de pérolas negras que me rouba o ar. 
Estou nua em frente ao espelho, enxergo os hematomas que os dissabores da vida marcaram na minha pele e deixo as minhas mãos percorrerem os traços que me caracterizam. Tenho a pele arrepiada pelo frio noturno e o olhar brilhante pelas lágrimas que derramei. Esta sou eu, despida de convicções, solta de indecisões. E, mesmo que de bonito nada tenha este reflexo, é ele que mostra aquilo que eu já não sei palavrear. Sou um corpo manchado do sangue que as guerras que travei trouxeram à superfície. Sou um mar de memórias que me ocupam e um céu de sentimentos que me preenchem. 
Estou assim, nua com o espelho e o reflexo daquilo que não soube ser. E daquilo que quis ser.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

it's stronger than me


É mais forte do que eu. Quando vens até mim de lágrimas nos olhos e, de entre todos, me escolhes a mim para desabafar as tuas mágoas, não consigo evitar relembrar o passado. Vejo em nós aquilo que já fomos e, embora isso também me relembre de tudo o que fizemos uma à outra, não sou capaz de deixar de querer proteger-te. Quando te vejo assim, indefesa, tudo o que me ocupa é esta necessidade de te acalmar, de ser para ti o que um dia foste para mim. Há anos que conhecemos os traços uma da outra e foi por isso mesmo que tão magoada saí de tudo o que de mim escondeste. Não pela situação, mas por não o esperar de ti, uma pessoa a quem sempre confiei partes importantes de mim, pensando que as guardarias com a tua vida. Não nego que ambas tenhamos falhado, mas apraz-me ver que damos agora os primeiros passos para a reconstituição da amizade que mais me custou perder no meio disto tudo. Estamos a crescer, como pessoas, e como amigas. Estamos a aprender com os nossos erros e eu estou a perdoar-te com cada pedaço magoado que restou do meu coração. Não o voltes a destruir, por favor. É tão bom ser um apoio para ti, mas preciso de saber que também o serás para mim se eu precisar, mesmo que ainda não seja capaz de confiar em ti como antes fui. Mesmo sabendo que não saberei ser quem fui para ti, como um dia soube. É mais forte do que eu. Revejo naquilo que hoje formamos o passado que deixamos escapar, e por muito que esteja a arriscar, quero ajudar-te, secar-te as lágrimas e despertar o teu sorriso, pois no final de tudo, quebra-me que não estejas bem. Podes ter errado. Podes ter destruído tudo o que eu julgava termos. Mas continuo cega na busca pelo dia em que te virarei as costas. Não serei capaz de o achar. Pois serás sempre uma parte de mim. Uma parte que já foi cortada e colada muitas vezes, que ainda cá está. E que, desta vez, tem de permanecer. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Cadáver que respira


Preciso de ser feliz e de me sentir viva novamente. Preciso de sorrir sem que esse ato seja forçado e de pessoas que o tornem mais fácil. Preciso de me distrair, mas não quero. Tudo o que me apetece é ficar enrolada nestes cobertores, recolhia no meu casulo, a chorar, a ouvir música, a pensar, a sonhar, a imaginar um futuro que adivinho extremamente negro. Preciso de um ponto de luz na minha vida que me devolva a esperança que eu deixei escapar por entre os dedos e preciso que ele chegue acompanhado de toneladas de chocolate, para me livrar deste sentimento de incapacidade. Preciso de recuperar os pedaços de mim que o calor do verão me roubou. Necessito de sentir mais do que este peso que me toma o coração. Quero fugir daqui para não mais voltar. Abandonar estas pessoas que já nada me dizem, desprender-me destas paredes que me oprimem, soltar-me destes pensamentos que me atormentam. Preciso de ser quem sou, ou quem era, sem todas estas questões a destruírem-me, a suprimirem-me, e a roubarem de mim a minha sanidade. Preciso de encontrar a minha felicidade numa qualquer esquina, e de deixar-me inundar por ela, nem que por meros segundos. Preciso de a provar novamente, pois já não lhe conheço o sabor. Sou apenas um cadáver que ainda respira. Preciso de regressar à vida. 

domingo, 6 de outubro de 2013

obrigada


Sinto cada vez mais que escrever me está a fazer bem. Não que seja algo de efeito imediato, mas sinto que as coisas se tornam mais fáceis e o facto de ter tanto apoio por estes lados, envolve-me o coração e aquece-me a alma. Não tenho palavras para vos agradecer a preocupação e disponibilidade que têm mostrado para comigo quando me encontro mais em baixo e o expresso aqui. Sinto cada vez mais que obrigar-me a voltar à escrita, foi a decisão mais correta que tomei nos últimos tempos. 
Nunca esteve nos meus planos fazer deste espaço um diário pormenorizado e direto, por diversas razões, entre elas, a necessidade que tenho de proteger os segredos mais escandalosos da minha vida e a minha vontade de manter o meu anonimato assim como das pessoas que protagonizam na minha vida. Saber que apenas um par de pessoas sabe quem sou ou fui - uma delas sendo o Mr.Nightmare -, permite-me escrever o que me vai na alma, sem reservas (ou quase nenhumas). Quando me obriguei a voltar a escrever, pensei que seria deveras mais árduo, mas a verdade é que se tornou mais simples do que eu achara. Esquecera-me já que basta guiar-me pelo coração, pelos sentimentos que me afloram, para ser capaz de expressar por palavras o que me preenche. Nada aqui será algum dia direto, ou explícito, pois não me posso dar a esse luxo, nem quero. Nunca quis ter um blogue diário, e, sem me aperceber, acabei por deixar o antigo tornar-se em algo desse género. Ao mudar de poiso, mudei a pessoa que era, e por essa razão, não cairei nos mesmos erros. 
Alegra-me saber que tenho todo o vosso apoio, mesmo que não saibam ao certo o que se passa. Alegra-me perceber que posso desabafar aqui os meus piores medos, e haverá alguém a compreender-me. E, para já, isso basta-me. Para já, isso é mais do que aquilo que eu esperei! Continuarei sempre a ser a Sophie Coldheart, sem rosto, nem história. Sou apenas feita de momentos e sentimentos divergentes que se unem num ponto algures no meu âmago. Espero que isso seja suficiente.
Muito obrigada por tudo. O blogue completa amanhã um mês e eu não podia estar mais feliz com o resultado destas semanas. Continuem a ser fantásticos sempre! 


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Se eu fosse um livro...mas não sou.


Se eu fosse um livro e tu me pudesses abrir agora, e ler cada página detalhada de todos os sentimentos, pensamentos e emoções que me ocupam, serias esmagado pela minha própria dor. Pela tristeza que emana dos meus vasos sanguíneos e pela melancolia que emerge das minhas células. Ficarias aterrado com o toque áspero das minhas folhas e submerso no pânico das minha linhas. Serias consumido pelo negrume das minhas letras e abalado pela sua acidez. Se pudesses abrir-me agora e ler cada pedaço do meu coração, chorarias do início ao fim, envolto num sofrimento sem fim. Se tivesses uma chave que te desse acesso a tudo o que me preenche, não serias capaz de ir até aos confins do meu ser, pois terias demasiado medo de continuar. Não sou um livro, nem tal chave existe e assim, nunca saberás quem sou eu, no interior da minha alma. Apenas te posso dizer que é negra, de uma maneira que nunca saberás imaginar. É sofrida, e dorida. Chora. E nas suas entranhas está tudo aquilo que um dia me magoou e que eu não soube deitar fora. Tudo aquilo que guardei, criando uma pequena bomba pronta a explodir a qualquer momento. E esse momento não demorará a chegar.