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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Se's


Estou confusa e odeio-me por isso. Odeio que, ainda que por breves momentos, me passe pela cabeça pôr tudo em causa, e que a minha cabeça entre num furacão de prós e contras, não's e senão's, que não sou capaz de controlar.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

uma tela nua


Com todas as cores prostradas em cima da mesa, ordenadas numa gradação que lhe era tão familiar, o seu olhar azeitona procurava incessantemente a tonalidade perfeita para delinear a sua alma. Os seus olhos pousaram no azul celeste e imediatamente se apercebeu que aquela não seria a cor que escolheria para decorar o branco imaculado da tela que escolhera. Passou ao magenta e, ainda que lhe lembrasse o sangue que lhe jorrada das falhas que abrira nos próprios pulsos, negou-lhe a preferência: não era cor digna de uma alma tão sádica e temerosa. Ao amarelo, virou a cara sem pensar uma segunda vez e ao laranja fez apenas um trejeito desvalorizador, pondo-o de parte à partida. Amante da natureza na sua forma mais pura, pegou no verde esmeralda e, após hesitar por um segundo, atirou-o para longe, livrando-se de tal opção. O rosa era tom que lhe lembrava a sua infância roubada e, esforçando-se por não se demorar nestes pensamentos, desviou o olhar dele também, ignorando a sua existência. Nos entretantos, a tela permanecia de um branco puro, desejando ardentemente ser preenchida por um qualquer tom que lhe roubasse a monotonia de vazia ser. Na sua decidida indecisão, confrontou o castanho que lhe atraía a atenção, mas rápido se apercebeu que lhe faltava a escuridão que a consumia e destruía. Mas afinal, de que cor era a sua alma? Movendo o seu corpo desnudado e frágil de um lado para o outro, na vã esperança de assim desenhar na sua mente a cor que lhe assentaria que nem uma luva, deparou-se consigo mesma parada em frente ao espelho decrépito que lhe pendia no meio do quarto. Fitou o seu corpo marcado de incertezas e cicatrizes e olhou-se depois fixamente nos olhos. Não diziam eles que os olhos são o espelho da alma? Aproximou-se um pouco mais e, sem desprender os olhos do seu reflexo, perscrutou no fundo de si. Despiu cada camada da sua tão intrincada personalidade e espreitou a sua alma condenada. Seriam aquilo lágrimas nos seus olhos? Afinal a sua alma era tão negra quanto o seu olhar. Uma alma assombrada, perdida nas infindáveis questões de um ser que não sabe ser. Mais uma tela que seria ponteada pela escuridão de uma noite sem estrelas.

domingo, 15 de dezembro de 2013

uma nova era, ou assim espero.


Sinto que estou presa a um passado que se revela agora bastante vingativo. Não sei mais como me largar destas correntes que ainda envolvem os meus tornozelos e que ainda corrompem o meu coração. Quero seguir em frente, preciso de seguir em frente. Preciso de me desprender das memórias que só me fazem sofrer, por serem pedaços de paraíso comparadas com os pedaços de inferno que agora enfrento. Tenho de largar os grilhões que me amarram ao pretérito perfeito que o destino roubou de mim. Preciso de enfrentar a realidade dura que me foi imposta e esquecer o ontem que já não tenho como recuperar. É a única maneira que tenho de sobreviver, de recuperar os pedaços de mim que se têm perdido. É a única maneira de relembrar os gomos de felicidade que um dia senti. Tenho de desligar o que ficou para trás. Esquecer o dias em que tudo era mais fácil e só depois, seguir em frente. Se vai custar? Não pode doer mais do que já dói. Hoje é o dia. O dia em que arranquei de mim os resíduos do passado. O dia em que queimei os pedaços da minha alma. O dia em que rasguei a carne e expurguei o meu coração dos malefícios que as lembranças me trouxeram. Hoje começa uma nova era. Hoje vou viver o presente e desenhar o futuro. Já não existe pretérito. Hoje foi o dia.

domingo, 10 de novembro de 2013

black pages


Quero um livro de páginas negras que eu possa pintar com palavras brancas. Quero um caderno de páginas negras, que me permita escrever a minha vida com uma cor menos sombria que aquela que hoje uso. Quero um caderno que me permita definir o meu trilho num tom mais suave. Quero um caderno que eu possa pautar de branco e não de negro. Quero um fundo negro com pontos de luz e não o inverso. Quero ditar quem eu sou com uma cor que não aquela que hoje me caracteriza. Quero desfazer-me do monstro que sou. Quero um caderno que inverta a minha história.

domingo, 3 de novembro de 2013

E se...?


...te dessem um envelope com a data da tua morte? Abria-lo ou preferias ficar sem saber?
Também aqui.

Deixei esta pergunta na rúbrica E se...? do blogue Paralelodice da Amy, e acho que é, de facto, uma pergunta muito interessante e que pode gerar opiniões distintas.

Eu própria julgo que me levaria algum tempo a decidir, mas, no final, optaria por abrir o envelope e por conhecer a minha sentença.
Muita gente interpreta essa "oportunidade" de uma perspectiva diferente da minha, dizendo (talvez com razão), que seria preferível não saber para não entrar em paranóia e desespero e porque isso os levaria a contar os dias até à morte de uma forma mórbida. Já eu, vejo as coisas de outro prisma. 
Se eu pudesse saber a data da minha morte, não hesitaria. E porquê? Porque preferia mil vezes conhecer o tempo de que dispunha para cumprir todos os objetivos que defini para a minha vida. Se eu fosse morrer daqui a um mês, não iria perder tempo a ir às aulas, por exemplo. Iria antes fazer bungee-jumping, paintball e uma tatuagem. Iria a um concerto dos 30 Seconds To Mars. Iria ao cinema com os meus amigos e viajaria até Itália. Visitaria o Grand Canyon, faria voluntariado em África e subiria ao topo da Estátua da Liberdade e da Torre Eiffel. Andaria num balão de ar quente e, quem sabe, escreveria um livro sobre a minha vida. Daria o melhor de mim aos que me rodeiam e dançaria à chuva sem me importar com o quão molhada ficaria. Se o meu tempo de vida se reduzisse a um mero mês, aproveitaria todos os segundos desses trinta dias para fazer os outros felizes por saber que o meu coração iria parar dentro de pouco tempo. 
Eu sei que devia aproveitar a vida ao máximo todos os dias, exatamente por não saber o que me reserva o dia de amanhã mas, sejamos sinceros, ninguém leva isso à letra. Muitas vezes deixamo-nos ficar pela comodidade do que temos como garantido e menosprezamos o que temos, sofrendo e fazendo trinta por uma linha por assuntos menores. Não aproveitamos a nossa vida, nem pensamos naquelas pessoas que estão piores que nós e muito menos nos sentimos gratos pelo que temos quando devemos. E essa é uma verdade dura de aceitar, por vezes. Agora imaginem que se viam confrontados com a data da vossa morte... Não aproveitariam ao máximo? Não se esforçariam por alcançar os vossos sonhos e até por ajudar aqueles que de pouco dispõem? Não fariam de tudo para morrer realizados?
Eu sei que esta é uma questão controversa e espero que me deixem as vossas opiniões. Percam um bocadinho do vosso tempo a pensar nisto.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

sunset


Hoje ao sentar-me a olhar o pôr-do-sol, deixei-me inundar por pensamentos dispersos enquanto lágrimas corriam pela minha face. Não que a dor se tenha acentuado hoje. Não que algo me tenha derrubado. Simplesmente deixei-me levar pela revolta que ocupa o meu âmago e quando dei conta, toda a minha face estava já molhada. Ao ver o céu azul misturar-se com o laranja do sol, apercebi-me do quanto a minha vida se alterou nos últimos tempos e do quanto essas mesma alterações mexeram com o mais fundo de mim. Não choro por estar magoada, nem por não saber que rumo tomar. Não choro pelo amanhã que não conheço. Choro simplesmente por olhar para o passado e ver os rumos que este me obrigou a tomar e aonde eles me trouxeram. Por me aperceber da dor que marcou o meu caminho e por saber que a mesma nunca cessará. Choro por melancolia, angústia  e pavor. Choro por reconhecer os contornos que a minha vida criou e por saber que hoje teria feito tanto de diferente.  Quando o dia se despede e com uma aragem fresca vemos a noite regressar, tudo aquilo de que preciso é de respirar fundo e de me lembrar que, traga o futuro o que trouxer, eu sobreviverei, apenas mais um dia.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Se eu fosse um livro...mas não sou.


Se eu fosse um livro e tu me pudesses abrir agora, e ler cada página detalhada de todos os sentimentos, pensamentos e emoções que me ocupam, serias esmagado pela minha própria dor. Pela tristeza que emana dos meus vasos sanguíneos e pela melancolia que emerge das minhas células. Ficarias aterrado com o toque áspero das minhas folhas e submerso no pânico das minha linhas. Serias consumido pelo negrume das minhas letras e abalado pela sua acidez. Se pudesses abrir-me agora e ler cada pedaço do meu coração, chorarias do início ao fim, envolto num sofrimento sem fim. Se tivesses uma chave que te desse acesso a tudo o que me preenche, não serias capaz de ir até aos confins do meu ser, pois terias demasiado medo de continuar. Não sou um livro, nem tal chave existe e assim, nunca saberás quem sou eu, no interior da minha alma. Apenas te posso dizer que é negra, de uma maneira que nunca saberás imaginar. É sofrida, e dorida. Chora. E nas suas entranhas está tudo aquilo que um dia me magoou e que eu não soube deitar fora. Tudo aquilo que guardei, criando uma pequena bomba pronta a explodir a qualquer momento. E esse momento não demorará a chegar.