Quero um livro de páginas negras que eu possa pintar com palavras brancas. Quero um caderno de páginas negras, que me permita escrever a minha vida com uma cor menos sombria que aquela que hoje uso. Quero um caderno que me permita definir o meu trilho num tom mais suave. Quero um caderno que eu possa pautar de branco e não de negro. Quero um fundo negro com pontos de luz e não o inverso. Quero ditar quem eu sou com uma cor que não aquela que hoje me caracteriza. Quero desfazer-me do monstro que sou. Quero um caderno que inverta a minha história.
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domingo, 10 de novembro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Se eu fosse um livro...mas não sou.
Se eu fosse um livro e tu me pudesses abrir agora, e ler cada página detalhada de todos os sentimentos, pensamentos e emoções que me ocupam, serias esmagado pela minha própria dor. Pela tristeza que emana dos meus vasos sanguíneos e pela melancolia que emerge das minhas células. Ficarias aterrado com o toque áspero das minhas folhas e submerso no pânico das minha linhas. Serias consumido pelo negrume das minhas letras e abalado pela sua acidez. Se pudesses abrir-me agora e ler cada pedaço do meu coração, chorarias do início ao fim, envolto num sofrimento sem fim. Se tivesses uma chave que te desse acesso a tudo o que me preenche, não serias capaz de ir até aos confins do meu ser, pois terias demasiado medo de continuar. Não sou um livro, nem tal chave existe e assim, nunca saberás quem sou eu, no interior da minha alma. Apenas te posso dizer que é negra, de uma maneira que nunca saberás imaginar. É sofrida, e dorida. Chora. E nas suas entranhas está tudo aquilo que um dia me magoou e que eu não soube deitar fora. Tudo aquilo que guardei, criando uma pequena bomba pronta a explodir a qualquer momento. E esse momento não demorará a chegar.
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