Ontem, uma grande amiga minha venceu a grande batalha da vida dela e eu não podia sentir-me mais contente por saber que finalmente ela está livre das correntes que durante anos e anos seguidos a mantiveram cativa. Finalmente ela pode respirar fundo e sentir-se segura, longe do homem que mais mal lhe fez e eu só tenho pena de não poder dar-lhe um enorme abraço neste momento tão importante da vida dela. Só tenho pena que ela esteja tão longe e eu não possa ir ter com ela para partilhar este momento. Terei de esperar pelo próximo verão para ter a minha americana por cá outra vez e para poder fazer as coisas mais loucas com ela, como só nós sabemos. Por enquanto, contento-me em vê-la de sorriso no rosto através do computador, que encurta a distância entre o país em que ela se encontra e o nosso país. Parece que lhe tiraram um peso insuportável de cima e agora sei que ela está verdadeiramente aliviada por tudo isto ter terminado. Ela é daquelas pessoas que ninguém algum dia suspeitaria pelo que ela passou, tal o sorriso que ela tem sempre no rosto e, no entanto, não sei se eu aguentaria passar por tudo o que ela passou na sua jovem vida. Mas o que tenho a certeza é que ela merece ser feliz e este é o primeiro passo para a liberdade dela e é um passo que eu quero acompanhar, mesmo que à distância. Agora a minha tagarela preferida está finalmente solta e eu sei que ela vai aproveitar esta sensação de libertação ao máximo, como sempre faz com tudo. Tenho saudades dela, mas esta batalha vencida, dá-me alento a mim também. A força dela é contagiante.
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Recortes do Passado #3 ♥
7 de Junho de 2013 "Hoje entrei de férias (supostamente), apesar de
ainda ter dois exames pela frente, o que se traduz em três semanas de estudo. A
verdade é que odeio despedidas, com tudo o que se deixa por dizer, por todos os
gestos que ficam pelo caminho. Ainda que saiba que irei rever a minha turma
pela escola a esclarecer dúvidas e também na realização dos exames, já para não
falar no jantar de turma já marcado, abandonar a escola hoje deixou-me um travo
amargo a saudade. É agora que tudo muda. É agora que se rompem muitas ligações
e se solidificam outras. Hoje foi o último dia em que tive aulas com esta
turma. A última vez que olhei à volta e vi todos aqueles 14 rostos na mesma
sala, num dia normal. É agora que todos seguimos caminhos diferentes. Uns
escolheram uma secundária, outros escolheram a outra e há ainda aqueles que se
decidiram por outros caminhos. Há aqueles que traçarão a sua vida nas línguas,
e outros na matemática, e ainda outros que optaram pela veia desportiva. O que
é certo é que me custa deixá-los a todos. Não, nunca fomos a turma perfeita,
nunca fomos um modelo de união, sempre houve pessoas com quem uns se davam
melhores do que outros. Não, não éramos os mais bem comportados, ma também não
eramos os maiores terroristas da sala de aula. Havia um certo equilíbrio. Havia
os momentos de risada sem fim e os momentos de absorção e interesse total.
Havia as borrachas voadoras, as mensagens secretas e as piadas secas. Mas acima
de tudo, havia confiança, partilha, conhecimento. Estávamos quase todos juntos
desde a primária e isso tem muito que se lhe diga. Conhecíamo-nos uns aos
outros, vimo-nos crescer em conjunto, presenteámos os dramas, as parvoíces e as
mudanças uns dos outros e acolhemos sempre quem vinha de fora. Não fomos a
turma modelo, mas fomos uma turma que eu não trocava por nada. E é por isso que
as saudades apertam tanto, por saber que nunca terei uma turma como esta. Fomos
o 6ºA, o 7ºG, o 8ºF e o 9ºE. Fomos uma família que hoje se começa a separar. Só
espero que nada disto seja definitivo. Que não haja distância que nos impeça de
nos cruzarmos na rua e de partirmos a correr para um abraço. Que não haja
distância que nos impeça de nos encontrarmos no futuro para saber todas as
novidades. Que não haja distância que nos impeça de mandar uma mensagem a perguntar
se está tudo bem. Que não haja distância que nos impeça de nos contactarmos.
Não quero que o que no passado se passou se repita. Quero mante-los a todos.
Mesmo aqueles com quem nunca me identifiquei, mas com quem de certo tenho boas
memórias. Vamos por caminhos diferentes, mas temos um passado comum. É isso que
deixa saudade."
Não sei até que ponto tudo isto se mantém. Afinal os caminhos apartaram-se mesmo e as ligações estão-se a romper... Mas as saudades estão lá.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
bullet
-30 de Agosto de 2013
Se me fosse dada uma arma neste preciso momento, o meu
primeiro instinto seria apontá-la à minha própria cabeça e premir o gatilho.
Sem hesitações, sem segundos pensamentos. Poria termo à minha vida num piscar
de olhos e todo este sofrimento acabaria de uma vez por todas. Todos estes
assomos de culpa, raiva e desilusão deixariam de existir. Não vejo agora outra
maneira de me libertar destas correntes que me prendem, que me extenuam e me
roubam a respiração. Estou amordaçada, sem poder gritar, sem ter a possibilidade
de libertar este pranto sem fim que se acumula no início da minha garganta e
que me sufoca a cada segundo. Gritar ajudaria, presumo. Mas nem tanto quanto
atirar-me de um penhasco. Quase que sou capaz agora mesmo de ouvir as palmas
repercutirem-se no ar à minha volta, vindas das mãos repletas de sangue
daqueles que antes empunhavam uma faca direita às minhas costas. A faca está
lá, não desapareceu. Desapareceram,
melhor dizendo, pois agora vejo com clareza e sei que mais do que uma me
atingiram, trespassando a pele, furando a carne, entranhando-se na minha alma,
roubando-me qualquer réstia de sentimento bom. Mas devo um pedido de desculpas
a alguém antes de me entregar à morte. Não demorará muito, mas é necessário.
Consigo morrer com a raiva e a desilusão em mim, mas não com a culpa, não com
este sentimento que tanto destrói à sua passagem. Preciso de o expulsar, seja
de que forma for. Desculpas não apagam os erros, não cobrem as falhas, não
melhoram nada, por muito que sejam pronunciadas. Não apagam memórias, não
desfazem todo o mal feito, não mudam o passado. Não valem nada. Mas ainda assim
dizemo-las, tentando que de algum modo elas aliviem a dor, o sofrimento,
próprio e alheio. Sempre com a esperança de que façam a diferença, de que
gritem por nós que foram erros inocentes, falhas nunca programadas, que nada
foi propositado. Se resulta? Não, nunca resulta. Mas que hipóteses temos? Agir,
compensar? Como? Receio já não ter tempo para isso. Para mudar o presente e o
futuro, como também não posso agora fazer com o passado. Não, não quero ter
tempo para isso, pois mais tempo significa agora uma dor insuportável, que nem
o mesmo curará. Preciso de me livrar disto de outro modo. Por isso peço
desculpa, por ter falhado, por não ter conseguido evitar tudo, por ter
arriscado tudo. E desculpas também por não ser capaz de viver com isso. Um
pedido de desculpas simples. E agora sei a resposta… Não. Nunca leva com ele a
culpa que nos ocupa, nem nunca anulará a desilusão, mas pelo menos eu tentei.
Posso cair agora, para nunca mais me levantar.
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